sexta-feira, 24 de junho de 2016

Assista ao primeiro filme escrito por uma inteligência artificial

Visto de maneira isolada, Sunspring poderia parecer somente uma ficção científica de baixo orçamento com um roteiro digno de produções “B”. No entanto, o curta-metragem se mostra um tanto revolucionário ao se tornar a primeira produção do tipo totalmente escrita por uma inteligência artificial — que aparece nos créditos com o nome “Benjamin”, escolhido por ela mesma.
Dirigido por Oscar Sharp, o filme foi criado para participar do festival Sci-Fi London, que inclui competições como o 48-Hour Film Challenge, em que equipes têm tempo limitado para criar curtas-metragens usando objetos predeterminados. Sunspring foi criado com o auxílio de Ross Goodwin, pesquisador de inteligência artificial da Universidade de Nova York que forneceu o “roteirista” da produção.
“Assim que fizemos a primeira leitura [do texto], todos ao redor da mesa ficaram rindo com contentamento”, afirmou Sharp ao site Ars Technica. Os atores tiveram seus papéis atribuídos aleatoriamente e escolheram o tom de suas falas (e suas expressões corporais) conforme liam o roteiro — resultado que você pode conferir no filme.
Benjamin também foi o responsável pela produção da música-tema, que foi produzida a partir de um banco de dados contendo 30 mil canções populares. O resultado foi aprovado pelos jurados do festival, que destacaram Sunspring como uma das melhores produções participantes do desafio de 48 horas.

Aprendendo com exemplos

A inteligência artificial, normalmente usada para o reconhecimento de textos, foi alimentada com uma dúzia de roteiros de ficção científica das décadas de 1980 e 1990 como base para sua própria criação. O sistema dissecou essas informações para criar parágrafos inteiros baseados nos padrões encontrados, dando preferência às palavras e estruturas de frases mais comuns.
Cena de Sunspring
Com o tempo, Benjamin aprendeu a imitar a estrutura de um roteiro e a indicar posicionamentos de personagens e falas bem formadas. A inteligência artificial só era incapaz de trabalhar com nomes próprios, motivo pelo qual o diretor decidiu atribuir letras a cada personagem de Sunspring.
Benjamin também teve papel essencial no processo de votação pública estabelecida pelo festival. Ao perceber que outros competidores estavam usando bots para aumentar seus números, Sharp e sua equipe programaram a inteligência artificial para fazer essa tarefa. “Então o fizemos votar 36 mil vezes por hora nos últimos momentos do concurso e destruímos os trapaceiros”, explicou o diretor.
Via TecMundo.

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