terça-feira, 25 de outubro de 2016

Retorno de Walking Dead reacende discussão: os spoilers são realmente maus?

Neste domingo (dia 23 de outubro), a série The Walking Dead voltou para a sua sétima temporada, com um primeiro episódio bastante chocante por trazer duas mortes de personagens queridos. Enquanto as cenas iam ao ar, os spoilers sobre quem iria morrer já começavam a pipocar nas redes sociais, incomodando aqueles que não estavam assistindo à estreia da nova temporada da série de zumbis.
Esse comportamento não é algo novo: basta algum episódio de uma série famosa bombar nas telinhas para a internet criar uma série de memes e estragar a surpresa de quem porventura não pode acompanhar “ao vivo” a transmissão. A maioria dos grandes canais tem tentado evitar esse problema lançando os episódios simultaneamente em vários lugares do mundo e trabalhando em clima de segredo, mas nem sempre isso é possível.
Em 2008, o jornalista Dan Kois, do site Vulture, tentou criar um estatuto sobre o spoiler: Kois tenta especificar em que momento ele passa a ser permitido depois que uma série, filme ou livro é lançado. Claro que isso nunca foi muito levado a sério, tanto que as pessoas ainda sentem um prazer mórbido em estragar a experiência de quem não pode acompanhar o produto midiático com a mesma velocidade do que elas.
Mistério sobre quem iria morrer em "The Walking Dead" começou com o final da sexta temporada e foi revelado neste domingo. Fonte da imagem: Divulgação/AMC

O que a ciência fala?

Para o psicólogo Paul Bloom, autor do livro “How Pleasure Works” (“Como Funciona o Prazer”, em tradução livre), é curioso notar como temos explorado a ficção mais do que a própria realidade. Segundo ele, seria melhor que em nossos momentos de lazer pudéssemos praticar algumas das atividades que apenas consumimos no entretenimento – isso não inclui matar zumbis, hein?
Bloom também explica que nosso cérebro às vezes mistura realidade e ficção. É por isso, por exemplo, que adoramos tanto histórias que envolvem sexo, afinal, quem não gosta de praticar sexo? Já a psicóloga Thalia Goldstein fala que conscientemente nós temos noção que a ficção não passa de uma ficção, mas que lá no fundinho de nosso cérebro algumas ligações neurológicas querem acreditar que se trata de realidade, por mais absurdo que ela possa ser.
Isso explicaria, por exemplo, por que os spoilers são tão frustrantes: eles nos lembram de que essas histórias realmente são apenas histórias. Ao sabermos de antemão o que irá acontecer, acabamos não criando o vínculo emocional que teríamos se aquilo fosse uma completa novidade para a gente.
Estragar uma surpresa impactante pode arruinar a experiência de quem não pode acompanhar uma série ou filme ao mesmo tempo que você. Fonte da imagem: Reprodução/NBC

Algumas pessoas gostam de spoiler

Já o professor de psicologia Nicholas Christenfeld, da Universidade de San Diego, nos EUA, acredita que os spoilers não estragam totalmente a experiência. Pelo contrário: os spoilers fazem você apreciar ainda mais a história, antecipando o que você irá sentir dali alguns instantes.
Christenfeld conduziu um experimento em que pedia para pessoas lerem histórias curtas, sem nenhuma informação sobre elas, e depois reportarem o que sentiram. Depois, ele repetiu o mesmo teste contando detalhes importantíssimos sobre o que as pessoas iriam ler. O segundo grupo, surpreendentemente, apreciou mais o material consumido.
Uma terceira experiência interrompeu a leitura das obras na metade, entregando o final aos leitores. Mesmo assim, o psicólogo acredita que saber o spoiler do final pode ajudar as pessoas a compreenderem detalhes da obra mesmo antes de a grande revelação acontecer.


Final trágico e de conhecimento público não impede que as pessoas apreciem "Romeu e Julieta". Fonte da imagem: Reprodução/Fox

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