quarta-feira, 3 de maio de 2017

James Cameron revela segredos de Titanic 20 anos depois de sua estreia

“Está na hora de dar a minha versão do que aconteceu”. A frase veio de ninguém menos do que James Cameron, cineasta premiado que tem em seu portfólio títulos como O Exterminador do Futuro 2Avatar e… Titanic. E é justamente sobre a lendária história dramática retratada na produção de 1997 que o diretor, roteirista e produtor decidiu “abrir a boca” 20 anos após sua estreia.
O vencedor do Oscar escreveu trechos no livro “Leading Lady: Sherry Lansing and the Making of a Hollywood Groundbreaker”, no qual Cameron revela diversos segredos dos bastidores da produção estrelada por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. De acordo com a publicação, os estúdios se assustaram com os custos da ambiciosa produção, com medo de que o prejuízo fosse imenso.
E foi justamente Sherry Lansing, então executiva da Paramount Pictures, que, após “devorar” o script em 1996, apostou todas as fichas acreditando no sucesso dele. Dito e feito: Titanic, cujo orçamento ficou na casa dos 200 milhões de dólares, foi indicado a 14 Oscars e levou para casa 11 prêmios e uma bilheteria de mais de US$ 2 bilhões. O longa foi o primeiro a arrecadar mais de US$ 1 bi mundialmente e só perdeu o posto do filme que mais arrecadou fundos na história para Avatar, lançado em 2009.

Pré-produção conturbada

Um dos segredos revelados quanto à produção de Titanic foi sobre como se deu a parceria entre a Paramount Pictures e a 20th Century Fox. De acordo com as revelações, a Fox estava desesperada para vender alguns dos direitos do filme, e Lansing aproveitou a oportunidade para viabilizar a parceria entre os estúdios, deixando a Universal Pictures fora da jogada.
Depois de vários dias de negociações, negativas e frustrações, Lansing chegou a um acordo entre os dois estúdios, que concordaram em “rachar” as despesas para que Cameron conseguisse produzir um filme à altura de seu ideal. Mas tudo isso marcou apenas o início dos problemas: tudo aprovado, chegaria a hora de ir atrás da produção, que foi extremamente trabalhosa.
“Cameron queria papéis de parede reais e coisas do tipo. Eu disse ‘por que você não constrói os cenários e os pinta? Ninguém jamais descobrirá’”, revelou Fred Gallo, chefe de produção na época. Mas Cameron foi radicalmente contra a ideia e acabou construindo um tanque de água gigantesco em uma área de 24 acres no México. Foram necessárias 10 mil toneladas de dinamite para abrir um buraco grande o suficiente para a construção do tanque, que foi utilizado para as filmagens na água de Titanic.
Cameron também tentou utilizar um submarino especial na produção, mas o problema foi que só existia um único submarino do tipo no mundo (e ele era da Rússia, antiga inimiga política dos Estados Unidos). Ainda assim, o diretor conseguiu o submarino, mas, no primeiro dia de testes, a máquina teve problemas de energia e não pôde ser usada.
Com tantos problemas, “todo mundo pensou que iria perder dinheiro”, contou Cameron. “Ninguém estava otimista, inclusive eu”. No entanto, assim que Lansing chegou ao México para visitar os bastidores da produção, seus olhos brilharam. “Entrei no navio e voltei no tempo”, disse a executiva. “Eles recriaram tudo, e o nível de detalhes do navio, até os pratos de época, tudo isso me impressionou demais”. Ainda assim, os atrasos no andamento da produção causaram níveis alarmantes de estresse entre a equipe e os altos executivos dos estúdios. Cameron também revelou que estavam “perdendo três de cada cinco dias [da produção]. Precisávamos estimar quando conseguiríamos finalizar ou o quanto custaria para finalizar tudo” em tempo.
A construção do navio de Titanic demorou muito mais do que o previsto, novos atrasos acabaram causando a substituição do diretor de fotografia da produção, e diversos membros do elenco começaram a ficar doentes em decorrência do nervosismo. Para piorar, todo mundo morria de medo do temperamento de James Cameron, que não é lá muito fácil de se lidar. A própria Kate Winslet chegou a declarar que estava “genuinamente com medo dele”, enquanto outros atores o chamavam de tirano.

Os problemas não acabaram com o fim das filmagens

Mesmo após o encerramento das filmagens, os problemas continuaram a acontecer. O dinheiro estava indo embora, e a relação entre os estúdios já estava tão desgastada que, quando foi preciso pedir mais um pouco de “grana” para finalizar a produção, o pedido foi recusado.
Para piorar, enquanto os estúdios brigavam entre si, Cameron declarou guerra contra ambos e criou problemas com um executivo que cumpria a função de vice-presidente da produção. Os planos de venda do executivo não batiam com o planejado pelo diretor: ele havia criado um trailer de divulgação — que foi altamente rejeitado por Cameron, que criou sua própria versão. A resposta do executivo? “Acabei de assistir ao seu trailer e vomitei em meus sapatos”.
Os níveis de estresse seguiram crescendo ininterruptamente, à medida que começaram a surgir as artes para os pôsteres de Titanic e também quando foi agendada sua data de estreia (que seria em julho de 1997). Ficou claro que esse prazo não seria cumprido, e o filme acabou estreando nos cinemas norte-americanos somente no mês de dezembro daquele ano.
A coisa só começou a dar sinais de que poderia, enfim, ser um tremendo sucesso, quando Cameron mostrou algumas cenas prontas do filme para Lansing, pouco antes da abertura do Festival de Cannes naquele ano. “Quando vi a primeira cena, fiquei sem palavras”, revelou a executiva. Cameron, então, perguntou se ela gostaria de assistir a mais trechos, que a deixaram boquiaberta.
A exibição foi uma “grande reviravolta” para Cameron, porque, de acordo com o diretor, eles estavam em um lugar muito sombrio, emocionalmente falando, tentando terminar o filme “e todos estavam contra nós”. De repente, o diretor se viu diante de uma “cabeça” do estúdio cinematográfico “dizendo que, de alguma forma, tudo valeu a pena”.
Para finalizar as histórias, foi por pouco que “My Heart Will Go On” (música de Celine Dion que foi a trilha sonora principal de “Titanic”) não ficou de fora. Lansing havia achado o título da música “um pouco brega”, mas foi convencida de que a música era fantástica e que faria um enorme sucesso.
Titanic estreou em novembro de 1997 no Tokyo International Film Festival, chegando a 2.674 telas de cinemas no restante do mundo em dezembro do mesmo ano. Ao contrário das expectativas dos estúdios, a produção foi um sucesso imediato, ganhando quase 30 milhões de dólares somente na semana de estreia. Após Cameron abocanhar os Oscars, Lansing mandou emoldurar em uma peça confeccionada com prata a fotografia de quando o diretor descobriu que o filme seria indicado ao prêmio de “melhor filme” do ano. “É um momento que guardarei para sempre”, disse a executiva.
Este texto foi escrito por Patricia Gnipper via N-Experts.

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário