quinta-feira, 29 de junho de 2017

20 exemplos de quando a opinião dos críticos não refletiu o sucesso de um filme

Todo mundo tem aquele xodó de filme, mas que ao mesmo tempo é odiado pela crítica. Você já pensou nos fatores levam um mesmo longa a ser recebido de formas tão diferentes por esses dois públicos? Principalmente no caso das comédias, em filmes de terror e os com baixo custo de produção, os chamados filmes B, a opinião dos críticos e especialistas passa a ter menos valor para os produtores – normalmente, aquilo que os espectadores amam é o que os críticos mais conceituados abominam.
Na maioria das vezes, isso tudo acontece por questões técnicas. Filmes com menos custo de produção, por exemplo, nem sempre podem abarcar tudo aquilo que a crítica julga como essencial, seja um bom elenco, uma boa fotografia ou bom enredo – no entanto, esses fatores podem passar despercebidos pelo público em geral. Sorte dos produtores, não é?
Mas afinal, o que será que nos leva a essa disparidade entre a crítica e a recepção do público? Bom, não é possível afirmar com completa certeza, mas esses 20 exemplos podem te ajudar a entender o fenômeno. Veja só:

1. Um Voo Muito Louco (2004)

O filme retrata a história de Nashawn Wade (Kevin Hart), que, após ser humilhado em um voo comercial, decide processar os responsáveis e ganha a bagatela de USS 100 milhões. Decidido a lucrar ainda mais com a sua nova fortuna, Wade cria a sua própria linha aérea, com muita diversão e bebidas para os passageiros.
Nota dos críticos: 33/100
Nota dos espectadores: 8.6/10
Bilheteria total: US$ 14.1 milhões
No lançamento do longa, portais como Washington Post publicaram que "1 hora e meia de turbulência traria uma experiência melhor que o conteúdo ruim e ofensivo de Um Voo Muito Louco".

2. Sem Retorno (2015)

Sem Retorno é uma ficção com pouquíssima relação com a realidade. No filme, o personagem estrelado por Ryan Reynolds cede o seu corpo para Ben Kingsley, que em seu papel sofre com um câncer terminal. O plot acontece quando Damian, após passar pelo procedimento, descobre que está envolvido com uma organização secreta e perigosa.
Nota dos críticos: 34/100
Nota dos espectadores: 8.8/10
Bilheteria total: US$ 12.2 milhões
New York Post, por sua vez, classificou Sem Retorno como uma mistura de vários elementos comuns aos filmes do tipo; no entanto, o longa teria conseguido destruir uma receita que, a priori, não tinha como dar errado.

3. Jovens Justiceiros (2001)

Em Jovens Justiceiros, um grupo de jovens do Velho Oeste decide se rebelar contra os proprietários de trens da sua cidade, todos acusados de roubar para si diversos bens dos moradores locais. Não demora muito tempo até que a polícia esteja atrás dos mocinhos; acontece que Jesse James (Colin Farrell) e Cole Younger (Scott Caan) são heróis para a população de Liberty, no Missouri.
Nota dos críticos: 25/100
Nota dos espectadores: 7.9/10
Bilheteria total: US$ 13.3 milhões
Segundo o Washington Post, o fim de Jovens Justiceiros é mais caricato do que filmes de Velho Oeste, não foge nem um pouco da narrativa comum e batida de filmes com vilões e heróis; "Não vá ao cinema", alertou o jornal.

4. Sex Ed (2014)

Eddie (Haley Joel Osment) é um professor recém-graduado que tem um sonho: dar aulas de Matemática para alunos do Ensino Médio. Contudo, devido a diversos fatores, ele acaba se tornando professor de Educação Sexual – mesmo sendo virgem e um completo desconhecedor do assunto. Disposto a ajudar os seus alunos, Eddie procura entender melhor o assunto e enlouquece o reverendo da escola onde trabalha.
Nota dos críticos: 34/100
Nota dos espectadores: 8.8/10
Sobre Sex Ed, os críticos do Hollywood Reporter afirmaram que o filme "promete muito quando vemos a estrela de O Sexto Sentido, Haley Osment, colocar uma camisinha em uma banana". No entanto, o título desaponta – mesmo se as expectativas não forem tão altas.

5. O Cara (2005)

Dois profissionais completamente diferentes são forçados a trabalhar juntos. O vendedor de material odontológico, Andy Fidler (Eugene Levy), é simpático e dedicado – já o agente federal, Derrick Vann, interpretado por Samuel L. Jackson, está entre os caras mais durões das ruas de Detroit.
No filme, Vann precisa que Fidler não saiba dos seus planos e, para isso, se vê obrigado a estreitar relações com o vendedor.
Nota dos críticos: 33/100
Nota dos espectadores: 8.7/10
As análises do Miami Herald descrevem O Cara como "simplesmente horrível. Sem sentido, preguiçoso e parado". Mesmo assim o filme fez sucesso, sempre vendido como uma comédia leve de se digerir.

6. Sobrevivendo ao Natal (2004)

Drew Lathan (Bem Affleck) é um homem rico e sem família. Às vésperas de passar mais um Natal sozinho, Lathan decide voltar à casa onde viveu sua infância e oferece dinheiro para que os atuais moradores sejam sua família no Natal.
Como já era de se esperar, a convivência entre Lathan e os seus novos parentes não será das mais fáceis – embora não seja impossível, também.
Nota dos críticos: 19/100
Nota dos espectadores: 7.3/10
Além da nota extremamente baixa dada ao filme, os críticos do Village Voice disseram que Sobrevivendo ao Natal é "mais dolorido do que uma facada no peito". A questão é que, em tese, o longa se trata de uma comédia.

7. Loucuras na Idade Média (2001)

Loucuras na Idade Média fez bastante sucesso no Brasil, particularmente. Em seu enredo, o divertido Jamal Sky Walker, interpretado por Martin Lawrence, leva uma bolada na cabeça e, após um longo desmaio, acorda no ano de 1328 – em plena Idade Média. Em uma Inglaterra absolutista e repleta de ícones desse período, Jamal decide lutar contra o rei e ajudar seus amigos camponeses. O século XIV nunca mais será o mesmo.
Nota dos críticos: 32/100
Nota dos espectadores: 8.7/10
Bilheteria: US$ 33.4 milhões
Austin Chronicle não foi nem um pouco piedoso com Loucuras na Idade Média. Em sua análise, afirmou que poucas coisas no filme são tão boas quanto o fato de ele dificilmente ganhar uma sequência no futuro.

8. O Justiceiro (2004)

Em O Justiceiro, Frank Castle é um ex-policial que, devido a uma série assassinatos e outros crimes ocorrendo em sua cidade, se vê obrigado a voltar à ativa e investigar os casos. Com sede de vingança desde que a sua esposa e o seu filho foram assassinados, Castle decide fazer justiça com as próprias mãos, como o nome do longa já diz – embora o ex-policial se saia bem na sua tarefa, ele descobre que sempre há muito mais inimigos e criminosos para combater.
Nota dos críticos: 33/100
Nota dos espectadores: 8.8/10
Bilheteria: US$ 34.6 milhões
De acordo com a conceituada revista VarietyO Justiceiro é sem sentido e não tem um enredo linear, como se espera de um filme do tipo. Ainda segundo os críticos, o longa mais parece o piloto de uma série de TV fracassada.

9. No Corredor da Morte (2002)

Sascha Petrosevich (Steven Seagal) é um agente federal infiltrado em uma prisão de segurança máxima. Sua missão é impedir que outro criminoso, interpretado por Morris Chestnut, invada o local e descubra onde estão guardados os US$ 200 milhões (em ouro) roubados por outro criminoso.
Nota dos críticos: 23/100
Nota dos espectadores: 7.9/10
Bilheteria: US$ 15.5 milhões
A crítica do Baltimore Sun foi bem direta a respeito do filme: um longa estúpido, sem lógica e simplista. Mesmo assim, No Corredor da Morte foi diversas vezes exibido na TV aberta brasileira; você se lembra?

10. Virando o Jogo (2000)

Virando o Jogo é uma comédia dramática que estrela Keanu Reeves no papel de Shane Falco. Na trama, Shane foi, quando criança, uma grande promessa do futebol americano – mas o reconhecimento nunca chegou para o garoto, e ele acabou desistindo da carreira.
É só quando o rapaz decide ajudar Jimmy McGinty (Gene Hackman), um treinador aposentado em busca de jogadores substitutos, que Shane verá a sua primeira oportunidade real para o estrelato.
Nota dos críticos: 30/100
Nota dos espectadores: 8.8/10
Bilheteria: US$ 44.7 milhões
Apesar de ter um enredo complexo e uma boa história de superação, a crítica não pegou leve com Virando o Jogo. A revista eletrônica Salon, no ano 2000, disse que o filme era "a pior coisa do novo milênio".

11. Em Nome do Rei (2007)

Em Nome do Rei se passa em um universo alternativo, onde o poderoso rei Konreid precisa defender seu povo e seu castelo de Gallian (Ray Liotta). Gallian, na intenção de tomar o posto de Konreid, envia um exército de monstros guerreiros em busca do seu inimigo – os chamados Krugs destroem tudo e todos em seu caminho, inclusive a vida de Farmer (Jason Statham).
Farmer não foi morto, mas teve o seu filho assassinado e sua mulher sequestrada. Agora ele está em busca de vingança contra Gallian e seu exército.
Nota dos críticos: 15/100
Nota dos espectadores: 7.8/10
Bilheteria: US$ 4.7 milhões
Não só a nota do filme foi extremamente baixa como o LA Weekly, um conhecido portal de Los Angeles, afirmou que o filme só existiu para gerar volume e renda para os produtores – e nem isso aconteceu de forma tão satisfatória.

12. Pacto Secreto (2009)

Em Pacto Secreto, as colegas de faculdade Megan (Audrina Patridge), Jessica (Leah Pipes), Ellie (Rumer Willis), Claire (Jamie Chung) e Cassidy (Briana Evigan) prometem nunca mais se separar. No entanto, quando quatro delas acidentalmente causam a morte de Megan, a lealdade das meninas é realmente testada.
Após o episódio, elas concordam em fingir que não sabem do paradeiro da amiga – mas é exatamente 1 ano depois, durante uma festa, que as garotas descobrem que mais alguém sabe do trágico fim de Megan.
Nota dos críticos: 24/100
Nota dos espectadores: 8.6/10
Bilheteria: US$ 11,9 milhões

13. Totalmente Sem Rumo (2004)

A história de Totalmente Sem Rumo se inicia quando três amigos de infância, Dan (Seth Green), Jerry (Matthew Lillard) e Tom (Dax Shepard), perdem o quarto integrante de suas aventuras. Depois de crescidos, o trio decide continuar uma aventura iniciada pelo amigo falecido: encontrar 200 mil dólares que desapareceram em 1971 com D.B. Cooper, um dos sequestradores de avião mais misteriosos da América.
Nota dos críticos: 29/100
Nota dos espectadores: 8.8/10
Bilheteria: US$ 58.1 milhões
USA Today, um dos maiores jornais dos EUA, definiu Totalmente Sem Rumo como "o mais burro dos filmes burros que normalmente surgem no verão".

14. Manobras Radicais (2004)

Logo após se formarem no ensino médio, Eric Rivers (Mike Vogel) e seus melhores amigos decidem viajar pelos EUA para assistir a uma famosa competição de skate. Com personalidades bastante distintas, os amigos, em especial Matt (Vince Vieluf), esperam ser vistos como jovens talentos em potencial – além de, quem sabe, ganharem uma grana com o esporte.
Nota dos críticos: 30/100
Nota dos espectadores: 8.8/10
Bilheteria: US$ 5.1 milhões
Também de acordo com o USA TodayManobras Radicais é justamente como o seu título original, Grind. Na língua inglesa, o termo pode ser entendido como "moer" ou "triturar" – definindo algo extremamente desagradável.

15. Sonny (2002)

Com James Franco no papel de Sonny Phillips, o filme homônimo ao protagonista conta o drama de um garoto que, ao retornar de uma temporada servindo o Exército, se vê obrigado a trabalhar para a sua mãe como garoto de programa. Sonny deseja ter outro emprego, mas está difícil – para tornar a história ainda mais dramática, o rapaz se vê apaixonado por uma das funcionárias de sua mãe.
Nota dos críticos: 31/100
Nota dos espectadores: 8.7/10
Para o jornal New York TimesSonny é "emocionalmente incoerente".

16. O Céu Pode Esperar (2001)

Na comédia O Céu Pode Esperar, Chris Rock interpreta Lance Barton, um comediante de stand-up que sonha em se apresentar em uma tradicional casa de shows em Nova York. O que Barton não esperava, entretanto, era ser atropelado antes de enfim cumprir o seu desejo.
Na trama, o personagem de Rock é retirado da Terra acidentalmente, e os anjos King (Chazz Palminteri) e Keyes (Eugene Levy) decidem redimir o seu erro permitindo que Barton volte à vida, mas no corpo de outra pessoa.
Só ao voltar para o mundo dos vivos é que Barton, agora Charles Wellington (Brian Rhodes), percebe a enrascada em que se meteu ao aceitar o acordo dos anjos.
Nota dos críticos: 32/100
Nota dos espectadores: 8.7/10
Bilheteria: US$ 64.1 milhões
Washington Post não parece ter gostado muito do filme. O jornal declarou que "para um longa de comédia, as risadas foram bem raras. Apenas três, na verdade".

17. Doce Novembro (2001)

Antes de conhecer Sara (Charlize Theron), Nelson Moss (Keanu Reeves) era um atarefado executivo com todo o seu tempo e atenção focados no trabalho. Após se interessar por Sara, ele e a moça concordam em passar 1 mês juntos, na intenção de que ambos aproveitem esse tempo para resolver seus problemas emocionais.
O problema surge quando Nelson se vê completamente apaixonado por Sara, que, por sua vez, não deseja iniciar nada sério no momento.
Nota dos críticos: 27/100
Nota dos espectadores: 8.2/10
Bilheteria: US$ 25.2 milhões
Por mais que Doce Novembro seja vendido como um filme romântico, o jornal Chicago Sun-Times o definiu como "o retrato de duas pessoas com comportamento doentio e que mesmo assim acreditam se amar".

18. Alguém Como Você (2001)

Alguém Como Você é um filme de narrativa complexa, pois envolve várias histórias antes de chegar ao seu ponto central. Mesmo com tudo preparado para enfim morar com seu namorado, a bem-sucedida Jane, interpretada por Ashley Judd, recebe a notícia de que Ray (Greg Kinnear) deseja dar um tempo no relacionamento dos dois.
Completamente abalada e agora com a sua vida de cabeça para baixo, Jane cria um paralelo entre as relações humanas e bovinas – ela passa a utilizar a sua posição profissional, a de uma famosa apresentadora de TV, para expor e defender a sua nova teoria.
Nota dos críticos: 32/100
Nota dos espectadores: 8.7/10
Bilheteria: US$ 27.3 milhões
Para o Wall Street JournalAlguém Como Você é uma péssima adaptação do livro homônimo, usado para basear o enredo de Jane.

19. Pulse (2006)

Pulse é uma refilmagem muito menos aclamada e famosa de um filme homônimo dirigido por Kiyoshi Kurosawa. Na versão de 2006, dirigida por Jim Sonzero, quatro amigos decidem investigar o suicídio de outra estudante e acabam se envolvendo em um mundo obscuro, fruto da junção entre a tecnologia e a atividade paranormal.
No longa, a internet e os dispositivos tecnológicos são ferramentas para se comunicar com quem está do outro lado da vida, ou melhor, da morte.
Nota dos críticos: 27/100
Nota dos espectadores: 8.4/10
Bilheteria: US$ 20.1 milhões
New York Daily News foi bem curto na crítica: "feio demais para valer a pena".

20. Inimigo Em Casa

Frank (John Travolta) é pai de Danny (Matt O’Leary) e ex-marido de Susan (Teri Polo). Contra a vontade de Danny, Susan vai se casar com Rick (Vince Vaughn) – na intenção de fugir de casa e não ter de conviver com o padrasto, a quem odeia, Danny acaba presenciando um assassinato cometido pelo namorado da mãe.
Por causa do longo histórico de mentiras do garoto, o único capaz de acreditar na história é o próprio pai do menino, Frank. Com medo de que seu filho esteja em perigo, Frank decide investigar Rick silenciosamente e por conta própria.
Nota dos críticos: 29/100
Nota dos espectadores: 8.7/10
Bilheteria: US$ 45.2 milhões
Segundo a crítica do Washington Post, "a coisa mais interessante sobre Inimigo Em Casa é que alguém teve a coragem de fazer esse filme". Ainda assim, o título está entre os mais bem-sucedidos desta lista.
Como é possível notar, não são raros exemplos de quando os críticos não conseguem prever o sucesso de um longa. Mais frequente nos gêneros terror, suspense e comédia, essa disparidade revela que, para o público, um enredo mais clichê e o baixo investimento financeiro na produção não tornam um filme ruim – ou melhor, não o impedem de fazer sucesso.
E você, também adora algum título odiado pela crítica? Lembre-se de utilizar o campo dedicado aos comentários e contribuir com suas sugestões.
Este texto foi escrito por Fernando Telles via N-Experts.

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário