quinta-feira, 15 de junho de 2017

Estreia de Os Defensores alinha os personagens das HQs com as séries da Netflix

Nova revista mensal da Marvel Comics aborda seus “heróis de rua” com a mesma pegada dark e neo-noir do serviço de streaming.
Os Defensores, série que reúne os “heróis de rua” da Marvel Comics na Netflix, tem todos os capítulos confirmados para agosto e a Casa das Ideias não poderia deixar de colocar uma revista análoga nas prateleiras.
Eis que a nova empreitada mensal já chegou aos EUA nesta quarta-feira (14), pelas mãos de Brian Michael Bendis e do desenhista David Marquez (Homem de FerroCivil War II).
Antes de falar da edição em si, é preciso lembrar algumas coisas. A primeira fica com relação ao título: muita gente já passou pela formação dos Defensores na editora, inclusive as mais famosas reuniram parcerias improváveis, como Surfista Prateado, Doutor Estranho, Namor e Hulk. Foi o serviço de streaming que atualizou a equipe com o quarteto da TV. A companhia adotou e agora os membros são os mesmos das telinhas.

Bendis, um visionário

De volta ao final dos anos 90, muita gente sequer imaginava que o promissor roteirista da série indie Powers se tornaria o principal nome da revolução e retomada da Marvel Comics — na época falida, sem o apoio do ainda inexistente Marvel Studios. O autor deixou de lado os então saturados X-Men para dar atenção aos clássicos Vingadores, tornando-os novamente o carro-chefe da companhia.
No início dessa reformulação, nos anos 2000, Bendis levou seu estilo mais intimista — com diálogos rápidos cheios de referências à cultura pop — para o título do Demolidor e, especialmente, a uma de suas mais bem-sucedidas criações (ao lado de Michael Gaydos): Jessica Jones, que já liderava uma revolução feminina no entretenimento há quase 20 anos.
Fonte da imagem: Reprodução/Marvel Comics
Esse carinho pelos “heróis de rua” levou personagens “classe B” ou “classe C” — como Luke Cage Punho de Ferro — para a linha de frente dos títulos flagship da companhia. Os roteiristas das produções da Netflix se inspiraram e continuam homenageando as fases de Bendis. Então, nada mais justo que trazer o escritor de volta para a estreia dessa atualizada equipe na série mensal dos quadrinhos.

Um cantinho mais escuro e cru da Casa das Ideias

Hell’s Kitchen, ou a Cozinha do Inferno, lar do Demolidor, sempre foi um lugar mais obscuro que os outros da Nova York marvete. E a Netflix acabou desenvolvendo isso de uma forma mais complexa e aprofundada, levando tons de cinza para o preto e branco do heroísmo na Grande Maçã. Como a experiência deu certo, isso está também nas páginas dessa nova fase dos Defensores nos quadrinhos.
“Estou brincando muito com texturas, com sombras. Eu e o Brian (Bendis) temos conversado bastante sobre transformar a cidade em um personagem, tanto de forma literal quanto figurativa. Estou muito empenhado em impor um visual neo-noir — alto contraste, cores saturadas. Venho tentando desenhar a comparação entre esse mundo com o mais claro, brilhante e tradicional do universo Marvel”, conta o desenhista David Marquez, em entrevista ao Newsarama.
Fonte da imagem: Reprodução/Marvel Comics
Um dos desafios do ilustrador é manter o alto nível de narrativa nesse cantinho, por onde já passaram artistas de peso, a exemplo de Bill Sienkiewicz (Elektra Assassina) e David Mazzucchelli (Demolidor, Batman: Ano Um). “David, Bill, Alex Maleev, Chris Samnee — todos esses caras imprimiram estilos definitivos ao mundo do Demolidor e mostraram como ele funciona. Estou me inspirando no trabalho que fizeram e também na maneira de mostrar as ruas de uma forma menos explícita”.

Gente como a gente

A Nova York dos Defensores carrega muito da iconografia da cidade, bastante presente em todas as fases do Demolidor. “Já viajei para Nova York várias vezes. Não digo que sou íntimo da cidade, mas sempre lembro muito das interpretações que vi de outros artistas. Não estou tentando enfatizar o lado grandioso e massivo da arquitetura, estou mais interessado na essência novaiorquina do cotidiano — como os tijolos e a argamassa, as torres d’água e outras coisas que se tornaram sinônimos de Demolidor”, conta Marquez.
Para o ilustrador, um dos grandes aspectos das séries da Netflix que deve ser mantido nas revistas é a perspectiva mais humana e “pé no chão”. “Como quero que a cidade seja um personagem das histórias, estou desenhando bastante as pessoas que são diretamente afetadas pelas maluquices que acontecem com esses personagens da Marvel. Então, há sequências em que os próprios transeuntes narram a trama”.

No Brasil, só em breve

A edição de estreia de Defenders chega às lojas norte-americanas nesta quarta-feira e, a partir daí, a revista será lançada mensalmente, com a dupla Bendis e Marquez. A Panini Comics, que detém os direitos de publicação da Marvel Comics no Brasil, ainda não anunciou o lançamento por aqui, que só deve acontecer mais para o final do ano, segundo a diferença de cronologia nas publicações.
Porém, com a estreia da série homônima na Netflix em agosto, é possível que as HQs cheguem por aqui antes.
Este texto foi escrito por Claudio Yuge.

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