quarta-feira, 21 de junho de 2017

Homem-Aranha, Venom e Gata Negra no Universo Cinematográfico Marvel? Entenda!

A semana passada foi agitada para o Homem-Aranha.
Além de um novo game exclusivo para o PlayStation 4 ter sido revelado pela Sony, foram ventiladas as possibilidades do novo Amigo da Vizinhança, Tom Holland, aparecer nos próximos projetos da Sony Pictures — leia-se uma adaptação do Venom e das anti-heroínas Silver Sable e Gata Negra. Mas que treta toda é essa e o que pode resultar disso tudo? Nós explicamos.
O novo game do herói foi uma das grandes atrações da Sony na E3. Fonte da imagem: Reprodução/Superhero Hype
Em primeiro lugar, é preciso entender por que é que a Sony Pictures tem todo esse poder sobre o mais popular personagem da Marvel Comics. Bem, os anos 90 foram terríveis para o mercado de quadrinhos estadunidenses.
Tanto a qualidade quanto o número de leitores caíram a um patamar tão baixo que a Casa das Ideias — na época sem os números expressivos do Marvel Studios — foi obrigada a pedir concordata. Sim, a editora entrou com pedido de falência em 1996 (e muita gente até hoje usa a empresa como um caso de recuperação no setor de entretenimento).

Saldão dos super-heróis

Para saldar uma parte da dívida de US$ 600 milhões na época, a Marvel Entertainment então decidiu negociar os direitos cinematográficos de algumas de suas criaturas mais populares. Afinal de contas, naquela altura, todas as tentativas de levá-las para as telonas tinham sido infrutíferas e o boom das HQs em Hollywood ainda não havia começado.
Nessa leva, Hulk foi para a Universal Pictures, Justiceiro foi para a Lionsgate, Blade já estava na New Line Cinema. Os X-Men, o Demolidor e o Quarteto Fantástico viraram propriedade da Fox e tanto o Homem-Aranha quanto o Motoqueiro Fantasma foram adquiridos pela Sony/Columbia.
Os direitos de Quarteto Fantástico, X-Men e outros personagens ainda estão longe de voltar para a Marvel Entertainment. Fonte da imagem: Reprodução/Marvel Comics
Dá para notar como a Marvel Entertainment estava desesperada ao analisar um pouco como os contratos foram fechados: além do valor aceito ter sido irrisório se comparado ao que esses personagens devolvem atualmente nas bilheterias e merchandising, a documentação prevê que os donos tenham poder vitalício sobre essas franquias.
Elas só retornam ao local de origem caso não haja adaptações em um certo período de tempo e isso varia de acordo com cada negócio. Blade, Demolidor e Motoqueiro, por exemplo, já retornaram e podem ser usados pelo Marvel Studios

A negociação Sony/Marvel

Desde que o Marvel Studios e seu universo cinematográfico (ou Marvel Cinematic Universe — MCU) foram lançados em 2008, com Homem de Ferro, a Marvel Entertainment já tinha planos para trazer o Amigo de Vizinhança de volta, afinal ele é praticamente um símbolo da companhia desde os anos 60. Como a Sony tinha acabado mal a trilogia de Sam Raimi com Homem-Aranha 3 amargando muitas críticas, essa possibilidade voltou com força total à mesa de negociações.
Homem de Ferro foi o filme que deu a largada para o universo compartilhado do Marvel Studios. Fonte da imagem: Reprodução/ComicsVerse
Porém, a coisa não andou muito. Diferente de Kevin Feige no Marvel Studios, quem tratava do assunto nessa época na Sony eram executivos que não tratavam de adaptações de quadrinhos, especificamente, então os direitos do aracnídeo e seu futuro na companhia japonesa eram iguais a quaisquer outros produtos.
A empresa então insistiu em um reboot do herói, com mais uma história de origem, desta vez com o ator Andrew Garfield como protagonista. Como todo mundo sabe, a investida fracassou, justamente na época em que o Marvel Studios crescia em popularidade e seu conceito de universo compartilhado vinha dando certo.
Eis que entra em cena uma figura importante: Amy Pascal.

Queda e ascensão de Amy Pascal

Amy teve uma carreira de sucesso na Columbia Pictures, onde ingressou em 1988, antes da companhia ser comprada pela Sony Pictures. Ela chegou ao cargo de vice-presidente, contudo, não resistiu aos escandalosos vazamentos de comentários racistas após um ciberataque e deixou o cargo em 2015.
Amy Pascal deixou a vice-presidência da Sony Pictures e passou a se dedicar ao Aranhaverso na companhia em 2015. Fonte da imagem: Reprodução/Forbes
Nessa mesma época, ela assumiu a produção dos filmes do Homem-Aranha e voltou a conversar com Feige. E daí saiu a partilha que permite ao Marvel Studios usar o personagem: o estúdio da Casa das Ideias dirige o controle criativo enquanto a companhia japonesa distribui e explora derivados e outros tipos de merchandising.
Isso abriu um novo leque para ambas as empresas, mas abortou projetos que estavam engatilhados, como um spin-off sobre os inimigos do Aranha em Sexteto Sinistro e Venom.
Perguntado na época se possíveis novos filmes relacionados fariam parte do MCU, Feige foi enfático ao dizer que o acordo previa somente Peter Parker para seis aparições — três títulos solo e mais três com os Vingadores (Capitão América: Guerra CivilOs Vingadores 3 e Os Vingadores 4) — e Miles Morales, em um longa animado, em produção para estreia em 2018.

O que mudou?

De 2015 para cá, a Sony tem notado melhor o potencial do personagem e então decidiu tratá-lo com mais cuidado. O próprio game anunciado na E3 mostra que a companhia trata o Aranha como uma grande estrela na companhia. E isso chegou a Amy Pascal, que também foi pressionada a expandir os produtos do Aranhaverso no cinema.
Com o sucesso recente de Deadpool e da Mulher-Maravilha — além de outras protagonistas femininas, como Arlequina, em Esquadrão Suicida, e Jessica Jones — a companhia vê uma adaptação de Venom e outra de Silver Sable com a Gata Negra como prioridades nessa frente. Então, o que antes era uma negativa de Feige agora passa a ser uma negociação: Amy quer Holland nesses derivados e que eles façam parte do Marvel Cinematic Universe (MCU).
Em recente entrevista, ela até mesmo já chegou a quase confirmar que isso vai acontecer, ao lado de Feige, que não fez cara de quem estava realmente animado com a notícia:

Mas como o Homem-Aranha tem enorme importância em termos de lucros — é o super-herói mais rentável e popular faz muito tempo — e na nova fase do Marvel Studios após a Guerra Infinita dos próximos filmes dos Vingadores, Feige, desta vez, terá que engolir essas mudanças.
Pesquisa divulgada pelo The Hollywood Reporter mostra como o Aracnídeo é muito mais lucrativo que outros heróis. E essa popularidade e rentabilidade aumentou ainda mais nos últimos anos, ainda mais às vésperas de mais um longa e um game a caminho, Fonte da imagem: Reprodução/The Hollywood Reporter

E agora?

Bem, da forma com que Amy colocou os novos filmes e os personagens no MCU, dá para notar que o contrato atual da partilha entre a Sony e o Marvel Studios é bastante delicado para Feige e companhia. Ao que parece, eles realmente terão que acatar isso se quiserem manter o aracnídeo em suas histórias.
A dificuldade, no momento, é realinhar a documentação com Tom Holland, que inicialmente não tinha assinado para aparecer em derivados. A resolução não deve ser difícil, já que o ator é jovem e parece estar gostando de estar amarrado a esse longo projeto.
A boa notícia para os fãs é que, dessa forma, poderemos ver Venom, cujo papel do anti-herói já foi dado para Tom Hardy, e Silver and Black (Silver Sable e Gata Negra) em um nível superior às últimas tentativas da Sony com o Aranhaverso. E, quem sabe, todo mundo junto no MCU em breve...
Fonte da imagem: Divulgação/Marvel, Sony Pictures

Este texto foi escrito por Claudio Yuge especialmente para o Minha Série.

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