quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Como Nossos Pais, vencedor de Gramado, estreia no Brasil: crítica

A cineasta Laís Bodanzky, responsável por obras como Bicho de Sete CabeçasChega de Saudade As Melhores Coisas do Mundo, faz um retrato sobre a família brasileira contemporânea em Como Nossos Pais, produção vencedora do último Festival de Gramado e que chega nesta quinta-feira (31) aos cinemas de todo o país.
O longa conta a história de Rosa (papel de Maria Ribeiro), uma jovem adulta da classe média paulista que vive sobrecarregada como mãe de duas filhas, enquanto seu marido (Paulo Vilhena) passa muito tempo viajando a trabalho, e ao mesmo tempo leva um trabalho que não lhe dá prazer.
Em um almoço de família na casa de sua mãe (Clarisse Abujamra), Rosa enfrenta as constantes críticas de sua progenitora, que tem sempre as palavras certas para lhe tirar do sério. Quando finalmente perde a paciência, Rosa recebe – da pior maneira possível – uma notícia chocante de sua mãe: um segredo que ela guardava há anos sobre seu pai.
Maria Ribeiro como a protagonista Rosa em Como Nossos Pais. Fonte da imagem: Divulgação/Imovision
Com esse ponto de partida, Como Nossos Pais analisa as dificuldades cotidianas de uma típica família brasileira moderna, que precisa lidar com seus problemas em meio a um contexto de crise – financeira, política e, acima de tudo, conceitual.
A protagonista Rosa, com uma interpretação guerreira de Maria Ribeiro, passa a questionar vários aspectos de sua vida, se lançando em uma jornada de transformação e autoconhecimento. A obra, junto com a personagem, enfrenta e derruba estereótipos; tecendo uma trama multifacetada e sem respostas fáceis.
Uma das características mais fortes do longa-metragem está na construção de seus personagens, que nem sempre tomam as melhores decisões nem têm as melhores atitudes – tornando-os muito “reais” e verossímeis. No decorrer do filme, passamos a simpatizar com cada um dos integrantes da família, apesar de suas diferenças e visões conflitantes.
A diretora e corroteirista Laís Bodanzky abre espaço ainda para uma discussão sobre o conceito de família na contemporaneidade, que deixa de ser tão tradicional e retrógrada após sucessivas quebras de paradigmas. Ao final, a cineasta parece sugerir uma busca por uma nova dinâmica social e familiar – um assunto que não poderia ser mais urgente e atual.

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