quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Resgate em Dunkirk: conheça os detalhes que ficaram de fora do filme

Se você é fã de cinema, então deve saber que Dunkirk, filme dirigido por Christopher Nolan, chegou recentemente às telonas — e vem arrancando elogios inspirados da crítica de todo o mundo, com alguns inclusive afirmando que o longa está entre os mais belos já produzidos na história da Sétima Arte.
O longa se refere à Operação Dínamo, evacuação militar que se deu em Dunkirk — ou Dunkerque no idioma original —, na França, entre os dias 26 de maio e 4 de junho de 1940, e entrou para a História como um dos momentos mais dramáticos da Segunda Guerra Mundial. Mas, apesar de o filme de Nolan “mostrar” (de forma magistral) o que aconteceu durante a operação, ele não “conta” o que ocorreu antes ou depois, nem apresenta o contexto histórico do que é retratado nas telas.

Drama

O drama de Dunkirk começou no dia 10 de maio, depois de os alemães lançarem ataques surpresa contra a Holanda e a fronteira da França com a Bélgica. Na verdade, os aliados esperavam que os nazistas invadissem o território francês a partir da Linha Maginot, uma linha de fortificações construídas ao longo da fronteira da França com a Alemanha, mas, em vez disso, os inimigos conduziram uma série de bombardeios por terra e ar, além de enviar tropas e mais tropas e pelotões de paraquedistas.
Lembre-se de que, em 1940, a Alemanha ainda não havia enviado suas tropas à Rússia, portanto, os nazistas viviam um momento na guerra em que suas Forças Militares pareciam indestrutíveis! Pois, voltando ao fator surpresa dos ataques, as ofensivas foram inesperadas inclusive para muitos oficiais alemães, uma vez que a ordem de atacar foi dada de última hora e quase não foi aprovada por Hitler, que considerou que a movimentação poderia ser arriscada.
Os ataques à Holanda e à Bélgica foram tão contundentes, que os dois países não tiveram outra opção a não ser se render à Alemanha. E as tropas britânicas que se encontravam naquela região da França foram sendo “empurradas” pelos nazistas e forçadas a recuar e recuar até chegarem à estreita faixa de área onde se encontrava o porto de Dunkerque — que se situa às margens do Canal da Mancha.
Uma vez lá, a situação dos soldados — cerca de 330 mil! — se tornou desesperada, já que, a não ser que os britânicos enviassem embarcações para resgatá-los, os nazistas eventualmente chegariam e matariam a todos. O problema, no entanto, é que Dunkerque se encontra em uma área de águas rasas do Canal da Mancha por onde poucos navios da frota da Inglaterra seriam capazes navegar sem encalhar e que se encontrava cheia de minas.

Aposta

Foi então que nasceu a Operação Dínamo — que, basicamente, consistiu em um chamado feito pela Marinha Britânica convocando civis a cruzar o Canal da Mancha e participar da evacuação dos soldados. Incrivelmente, entre 800 e 1,2 mil embarcações, entre barcos pesqueiros, iates, barquinhos de passeio, barcaças, rebocadores, botes salva-vidas e até um barco a vapor com rodas de pás e uma draga se apresentaram para ajudar no resgate.
É claro que a coisa toda seria incrivelmente arriscada, e a expectativa dos ingleses era de que apenas 30 mil soldados seriam resgatados. Então, para não forçar demais os barcos dos civis, as tropas inglesas tiveram que deixar seus armamentos e grandes quantidades de suprimentos para trás. E, enquanto a operação era conduzida, os alemães continuaram lançando violentos ataques por mar e ar.
É importante destacar que, nesse interim, algo que não aparece claramente no filme de Nolan é que as forças francesas permaneceram lutando bravamente contra os nazistas, se sacrificando e impedindo o avanço dos alemães por terra enquanto a evacuação acontecia. E, no final, graças às incontáveis idas e vidas das pequenas embarcações civis — que recolhiam homens e os levavam até os navios de guerra ancorados em áreas mais profundas do canal uma e outra vez —, cerca de 338 mil soldados (entre britânicos e franceses) foram salvos.
Alguns dos barquinhos que participaram da evacuação
Em tempo, Winston Churchill aproveitou o êxito da evacuação para fazer um de seus discursos mais importantes, através do qual o estadista transformou o desânimo dos britânicos em esperança, já que o sucesso da Operação Dínamo provou que nada era impossível. Parte das palavras é lida ao final do filme de Nolan por um dos personagens. Veja um trecho a seguir:
“... Nós não devemos enfraquecer ou fracassar. Iremos até ao fim. Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com confiança crescente e força crescente no ar, defenderemos nossa ilha, qualquer que seja o custo. Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos...”
Vale lembrar que depois da invasão de Dunkerque, a França não demorou em cair nas mãos dos nazistas. E a Alemanha foi dominando território após território da Europa Ocidental — até que se meteu com os russos e, quatro anos depois da evacuação, os Aliados invadiram as praias da Normandia durante as operações que ficaram conhecidas como Dia D.
Este texto foi escrito por Maria Luciana Rincón via Mega Curioso.

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário