quarta-feira, 4 de outubro de 2017

8 trechos da Bíblia para compreender o filme Mãe!

Um dos filmes mais falado do ano, até agora, é Mãe!, do diretor Darren Aronofsky.
O cara adora mexer com a cabeça de seus espectadores, vide obras como Cisne Negro, Pi Réquiem Para um Sonho, mas com sua última produção ele conseguiu polarizar a plateia: a maioria ama ou odeia, dificilmente ficando no meio termo.
Igualmente dividida está a galera que sacou as referências bíblicas logo de cara e as que só foram notar essas relações ao buscar informações sobre o filme na internet. Ainda que Mãe! abra brechas para discussões envolvendo o ambientalismo (defendendo por Aronofsky) e o feminismo (principalmente pelo papel de Jennifer Lawrence), o grande mote está em compreender que a obra nada mais é do que uma adaptação da Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse.
Para compreender ainda mais o filme, selecionamos alguns trechos do Livro Sagrado dos cristãos que fazem referência direta à história mostrada:

1. Criação de Adão e Eva (Gênesis 2: 21-23)

“Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada”
Os personagens não possuem nome, mas, nos créditos, o ator Javier Bardem é chamado de ELE, enquanto Jennifer Lawrence é a MÃE – uma referência a Deus e à Mãe-natureza. Quando o personagem de Ed Harris aparece, esta é a visão de Aronofsky para a criação de Adão. Repare na cena em que o homem vomita que ele possui um ferimento na altura da costela: pouco depois, entra a mulher, na figura de Michelle Pfeiffer.
Ed Harris

2. Expulsão do Paraíso (Gênesis 3: 6-24)

“E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. (...) O Senhor Deus, pois, os lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado. E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida”
O Paraíso de Aronofsky se concentra no alto da casa (uma referência ao Céu) e é onde o escritor cria sua obras, sendo vedada a presença de estranhos. Por isso, a Mãe insiste para que os visitantes não entrem no aposento. Após eles descumprirem essa ordem, ambos são expulsos da casa, e o escritório é lacrado. E tem até o fruto proibido nas telonas, visto na forma de um cristal.
Michelle Pfeiffer

3. Caim e Abel (Gênesis 4: 7-16)

“Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar. E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou.
(...) O Senhor, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse.”
Após serem expulsos do quarto, o Homem e a Mulher do filme aparecem fazendo sexo, uma referência à luxúria. Na sequência, aparecem os filhos, que discutem por conta de uma herança. O mais velho acaba matando o mais novo e recebe um corte na testa feito por seu pai – no filme, é o “Adão” que aplica o castigo.
Gleemson

4. O grande dilúvio (Gênesis 7 e 8)

“No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram. E houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites. E no mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cão e Jafé, sua mulher e as mulheres de seus filhos. Eles, e todo o animal conforme a sua espécie. E durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra, e cresceram as águas e levantaram a arca, e ela se elevou sobre a terra. Tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu”
Darren Aronofsky já havia contado a história do grande dilúvio em “Noé”, seu filme anterior, mas agora ele narra os eventos de forma figurativa. Em “mãe!”, o funeral de Abel reúne um mundaréu de gente, que começa a destruir o mundo (a casa), a ponto de que a tubulação estoura e alaga o ambiente. A Mãe-natureza expulsa todos de casa e um período de calmaria se inicia.
Mother

5. A queda de Lúcifer (Apocalipse 12: 7-12)

“E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão (...), Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. (...) E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte.”
Um trecho com várias referências: Lúcifer seria a editora de Javier Bardem, interpretada por Kristen Wiig, que declara ter duvidado da inspiração exercida por Jennifer Lawrence – a mulher é vista matando várias pessoas insanamente, tal como o anjo caído! O novo poema do filme seria uma referência ao Novo Testamento, enquanto o porão, com sua caldeira em chamas, o inferno.
Javier Bardem

6. A crucificação de Jesus Cristo (Mateus 27: 32-56)

“E por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: este é Jesus, o rei dos judeus.
E foram crucificados com ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda. E dizendo: Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz. (...)E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito.”
O nascimento do filho da Mãe é uma clara alusão a Jesus Cristo, tanto que seu criador no filme quer que todos os conheçam – algo que acaba em uma trágica cena com a morte do bebê. Antes, existe uma referência aos presentes dos Reis Magos. Após a morte da criança, os seguidores do “escritor” comem a carne e bebem o sangue de seu filho, parecido com o que Jesus faz com seus apóstolos na última ceia.
JLaw

7. O apocalipse (II Pedro 3: 10-12)

“Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade. Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?”
Após a morte de seu filho, a Mãe se enfurece com todos da casa e resolve destruir tudo aquilo. Ela desce ao porão, onde inicia um grande incêndio e acaba por aniquilar aquele mundo, com todos os elementos se fundindo em uma nova joia para a apreciação do escritor/Deus. Após o grande dilúvio, Deus prometeu que nunca mais acabaria com o mundo através de um dilúvio, por isso a representação do fogo, tal como descrito em II Pedro.
Apocalipse

8. A nova Terra (II Pedro 3: 13)

“Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.”
O final do filme nos leva a um novo começo, como se o mundo anterior tivesse recebido uma nova chance de dar certo – algo que a própria Bíblia mostra em II Pedro, através da ideia de sermos uma criação cíclica de Deus. Será que desta vez ele conseguirá manter os humanos afastados das tentações?
Mother
Este texto foi escrito por Diego Denck via Mega Curioso.

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