terça-feira, 24 de outubro de 2017

The Walking Dead retorna mirando o futuro: análise da estreia da 8ª temporada

Após uma temporada bastante criticada e com índice de audiência abaixo do normal para a série, The Walking Dead retorna com uma trama que coloca a tão esperada guerra das comunidades aliadas - Hilltop, Alexandria e Reino - versus os Salvadores comandados por Negan (Jeffrey Dean Morgan). Mesmo que num ritmo menos impactante do que os outros inícios de temporada, “Mercy”, centésimo capítulo da série, estabelece o que os fãs devem esperar para o oitavo ano.
No episódio, vemos a união dos líderes Maggie (Lauren Cohan), Rick (Andrew Lincoln) e Ezekiel (Khary Payton) junto aos moradores das três comunidades para conseguirem atacar os Salvadores. Esta é a parte mais direta dos sobreviventes versus Negan, já que os pontos estratégicos comandados pelo vilão foram tomados um a um devido à informação privilegiada que Dwight (Austin Amelio) entregou para Daryl (Norman Reedus).
Enquanto os líderes da comunidade se reúnem com seus combatentes em carros com proteções improvisadas contra tiros, Daryl, Carol (Melissa McBride), Morgan (Lennie James) e Tara (Alanna Masterson) conseguem reunir uma horda de zumbis e encaminhá-la para o Santuário. Quando o local controlado por Negan é atacado por Rick e seus aliados, os mortos-vivos levados até lá são um problema a mais que o vilão precisa solucionar durante a guerra definitivamente declarada pelas comunidades.
Fonte da imagem: Divulgação/AMC
Apesar das cenas de ação, o ponto de maior curiosidade sobre os próximos episódios envolve cenas de flash-forward que Rick começa a ter de si mesmo mais velho em uma Alexandria segura e com a Judith com aproximadamente cinco anos. Esses vislumbres não ficam claros se são apenas uma ilusão que o personagem tem a partir de um momento específico desta temporada ou se realmente é um momento real que será acompanhado normalmente pelo público.
Nos quadrinhos, as comunidades vencem a guerra contra os Salvadores, mas Rick não cumpre suas palavras de ódio a Negan, assim mantendo o vilão vivo. Isto pode indicar que aquelas visões sejam uma perspectiva positiva do protagonista em relação à vida que eles podem ter após o conflito.
Porém, a cena não é tão conclusiva sobre o que representa, nem mesmo se a série vai acompanhar as HQs neste aspecto. Apesar disso, a frase dita por Rick no final do episódio corrobora para isso. “Minha misericórdia prevalecerá perante a minha raiva”, que tem fundo religioso, algo que foi utilizado com sutileza em alguns diálogos envolvendo o Padre Gabriel (Seth Gilliam) durante “Mercy” e até mesmo nas rápidas palavras do sobrevivente que Carl (Chandler Riggs) encontra entre alguns carros num local isolado.
Essa narrativa não-linear é algo incomum em The Walking Dead, apesar de já ter sido utilizada na temporada anterior quando a Sasha era o personagem em foco do episódio, assim como a cena de festa em Alexandria com todos à mesa de jantar. A diferença primordial é que antes era claro o que estava acontecendo, enquanto agora eles usam isso como suspense para assim instigar os fãs sobre o que está por vir.
O roteiro do centésimo episódio ainda brincou com cenas icônicas da própria série, assim criando alguns fan services durante a história. Por exemplo, quando o Padre Gabriel está no trailer com o Negan, cena que já havia sido revelada na Comic-Con e por isso não foi tão impactante como poderia, a câmera se distância pelo alto daquele local, assim relembrando quando Rick se escondeu de uma horda de zumbis num tanque de guerra no primeiro episódio de The Walking Dead.
Fonte da imagem: Divulgação/AMC
Os vislumbres de Rick também fazem referência quando começamos a vê-lo na telinha, quando ele ainda estava no hospital. A forma como Carl investiga um carro usa os mesmos enquadramentos que a série já havia mostrado na perspectiva do protagonista, assim criando um reflexo entre pai e filho. Também há pequenas lembranças de acontecimentos anteriores, como os óculos escuros que Tara adquiriu quando foi para Oceanside e a irônica forma que Rick utiliza a Polaroid dos Salvadores.
Apesar de muito menos impactante e instigante do que outros retornos de temporada, The Walking Dead consegue estabelecer o que pretende para o oitavo ano com um episódio simples e fundamental para a história. Entretanto, o receio de que a série não consiga dar ritmo à trama ainda existe, principalmente ao criar um suspense sobre o futuro de Alexandria, na perspectiva do protagonista, que pode se tornar uma grande ilusão para muitos no final.

Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via N-Experts.

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