terça-feira, 21 de novembro de 2017

Star Trek: Discovery reapresenta franquia para nova geração sem perder a essência

Star Trek alcançou muito sucesso na televisão com sua série clássica nos anos 60, algo que faz dela até hoje muito respeitada pelos temas abordados, além da tecnologia que os episódios foram capazes de prever. Isso criou uma grande fanbase, mas deixou de ser popular com o passar do tempo. Essa perspectiva mudou quando a trilogia de filmes protagonizada por Chris Pine e Zachary Quinto apresentou o rico universo da Frota Estrelar para as gerações mais recentes. Mas havia pouca exploração e muita urgência por ação nos longas, algo que diverge bastante da abordagem criada pelo canal CBS, em parceria com a Netflix, para Star Trek: Discovery.
Originalmente, o novo programa trekker foi criado por Bryan Fuhler e Alex Kurtzman, que saíram do projeto durante os anos de produção, deixando a posição de showrunner para Gretchen J. Berg e Aaron Harberts. A trama se passa alguns anos antes dos eventos do programa clássico, algo que fica evidente conforme o espectador, que conhece conceitos básicos desse universo, percebe descobertas da principal tripulação que são características comuns da franquia.
A protagonista de Discovery é Michael Burnham, interpretada por Sonequa Martin-Green — popularmente conhecida pelo papel de Sasha em The Walking Dead. Ela sofreu na infância por causa dos ataques de klingons ao local onde ela morava e acabou sendo resgatada por um Vulcano, que a ensinou os costumes da sua raça, acalmando o lado emotivo que tomava conta dela na infância e a tornando muito mais racional. Nós a acompanhamos conforme ela desencadeia um problema gigantesco para a frota estelar e fica em uma situação que exige tanto do seu intelecto quanto de seu lado humano.
No programa clássico da franquia, Kirk (William Shatner) e Spock (Leonard Nimoy) eram a personificação de emoção versus razão, algo que se intensifica ainda mais na trilogia dos cinemas produzida por J.J. Abrams. Aqui a protagonista de Sonequa já é responsável por essa dualidade de aspectos na sua própria personalidade, principalmente nos dois episódios iniciais. Outro elemento básico de Star Trek é o elenco com representantes de várias etnias e gêneros, um ponto essencial levantado nos anos 60, ainda mais pela Uhura de Nichelle Nichols.
Assim como muitas tramas de ficção científica, Discovery entra em uma das questões mais discutidas e realistas do gênero: até que ponto a descoberta da ciência deixa de ser usada em prol das pessoas para virar recurso bélico. O roteiro deixa isso claro na forma como o Capitão Gabriel Lorca — interpretado pelo sempre vilanesco Jason Isaacs — transforma conhecimentos exclusivos de sua tripulação em armas de guerra. O cientista Paul Stamets (Anthony Rapp) fica preso a uma situação de confronto apenas para poder continuar suas pesquisas revolucionárias.
Por ser uma série de televisão, Discovery não tem à disposição um orçamento gigantesco para criar cenas monumentais de efeitos especiais, mas isso está muito longe de ser um problema. Em um dos episódios, uma das naves está recolhendo os mortos do combate com seus feixes de luz, resultando em uma imagem simplesmente linda. Em compensação, um monstro fundamental na história oscila sua qualidade visual em diversas situações, o que pode gerar um pouco de incômodo.
Apesar disso, os efeitos práticos são um dos pontos mais positivos da produção, seja na criação do ambiente ou nas maquiagens perfeitas. Existe um cuidado muito grande tanto para conseguir tornar os klingons seres assustadores quanto para dar características únicas aos tripulantes de cada nave. O ator Doug Jones é conhecido por assumir papéis que o deixam completamente irreconhecível, como já fez em Labirinto do Fauno e Hellboy, e aqui não é diferente — ele dá vida a Saru. O ótimo trabalho dos maquiadores ainda fica evidente quando é necessário criar ferimentos letais, como os causados pelo monstro da trama.
Star Trek: Discovery  traz de volta à televisão uma franquia que outrora fora popular, mas que não tem tanto reconhecimento pelas gerações atuais, porém mantém sua essência e aspectos que a fazem especial. Entretanto, é preciso estar preparado para uma grande quantidade de diálogos políticos em klingon, algo que é difícil de acompanhar, mas essencial para entender o outro lado da guerra.
A primeira metade da temporada tem nove episódios e está disponível na Netflix. O retorno dos capítulos é previsto para 7 de janeiro.
Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via N-Experts.

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