Midseason Finale de The Walking Dead não salva narrativa sem vida da 8ª temporada - Leitores Anônimos

Post Top Ad

Leitores Anônimos

Midseason Finale de The Walking Dead não salva narrativa sem vida da 8ª temporada

Compart
The Walking Dead possui uma fórmula narrativa anual bastante evidente para público e crítica: entrega episódios de ótima qualidade em sua abertura de ano, midseason finale e encerramento de temporada. Os outros capítulos costumam ter um ritmo cambaleante que parecem ser a repetição de eventos anteriores ou simplesmente não acrescentam tanto à história. Porém, este ano não conseguiu emplacar nem mesmo quando era esperado, já que a trama trouxe reviravoltas sem impacto e situações difíceis de empolgar.
A primeira metade da temporada foi focada nos planos de Reino, Hilltop e Alexandria para sobrepujar os Salvadores, comandados pelo sempre eloquente Negan (Jeffrey Dean Morgan) – uma característica do personagem que virou até piada pelo próprio Rick (Andrew Lincoln). Entretanto, a união entre as comunidades só teve eficiência no início; depois, perdeu-se conforme o plano contra o Santuário começou a desmoronar por causa de uma história que mais se preocupava em colocar os “mocinhos” em conflitos repetitivos.
O roteiro não consegue mais dar a dinâmica necessária para fazer com que a trama pareça interessante, já que a história volta a conflitos que já haviam sido concluídos, mas com pessoas diferentes. Os problemas ficam mais claros quando os sobreviventes de Alexandria começam a morrer nos confrontos, e não há peso dramático suficiente para se importar com isso, já que eles não possuem profundidade para fazer com que o momento vire algo comovente.
Em compensação, alguns personagens claramente cresceram na história por causa da evolução que a trama permitiu a eles. Maggie (Lauren Cohan) é cada vez mais a líder ao lado de quem os sobreviventes desejam estar, Eugene (Josh McDermitt) mostra sua dualidade para se manter vivo e não deseja mais ver mortes, Padre Gabriel (Seth Gilliam) apresenta suas convicções em prol de Alexandria, Dwight (Austin Amelio) faz sua transição gradual entre os grupos, e Carl (Chandler Riggs) tem sua temporada de pacifista em busca de um amanhã esperançoso.
Enquanto o roteiro falha em desenvolver a trama de uma forma que ela não se torne desgastante, a direção por diversas vezes mostra que não consegue trabalhar com o texto que possui em mãos. Isso fica evidente quando os confrontos entre as comunidades se tornam mais comuns, principalmente nos primeiros capítulos. Os enquadramentos não conseguem apresentar a real situação de perigo que há no confronto, os tiros parecem a esmo, e nem mesmo uma morte totalmente inesperada gera o impacto que poderia.
Essa inconsistência no ritmo narrativo tornou The Walking Dead refém dos próprios ganchos, os explorando com qualidade raramente. Os exemplos mais recentes são o retorno de Morales (Juan Gabriel Pareja), sobrevivente que não era visto desde os eventos em Atlanta, e o misterioso helicóptero, que até agora parece um cliffhanger gigantesco para uma situação que ainda vai demorar para acontecer. Essas situações maldesenvolvidas, além de todo o envolvimento com o núcleo do lixão, não trouxeram nada de relevante para os oito episódios.
A maior coragem de The Walking Dead na temporada é eliminar o personagem que mais evolui nos quadrinhos e está vivo até hoje, mostrando que pode trabalhar outras possibilidades. Ao mesmo tempo, ela falha ao não fazer com que tal novidade seja impactante, quando poderia até mesmo fazer fan service eficiente, sem prejudicar o que a produção tem planejado. Para os fãs mais fervorosos que acompanham cada novidade que surge sobre a franquia, não há impacto em ver um personagem fundamental dizer adeus de uma maneira tão pobre, ainda mais quando informações nos bastidores já davam indícios disso.
The Walking Dead precisa recuperar o que a série já teve de bom, seja pela forma como surpreendia o espectador ou como desenvolvia os temas de uma sociedade problemática, ao mesmo tempo que caminha para situações que fogem totalmente do seu material original. Nem mesmo os atores mais talentosos do elenco têm conseguido brilhar como antes, mostrando que roteiro e direção estão cada vez mais perdidos. Caso não mude, ela vai virar um retrato do que permeia a trama: um ser errante que caminha vagarosamente para um fim trágico.
Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via N-experts.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Bottom Ad

Leitores Anônimos

Pages