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6 revelações de Damon Lindelof sobre a possível série Watchmen

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O produtor Damon Lindelof está supervisionando um episódio piloto da série Watchmen, encomendado pela HBO. O responsável por The Leftovers publicou, em seu perfil no Instagram, uma carta endereçada aos fãs do quadrinho, na qual adianta alguns detalhes sobre o que pode ser esperado da série, trata da polêmica envolvendo adaptações da obra criada por Alan Moore e demonstra seu pesar em cometer a “heresia” de fazer com a obra justamente o que o criador condena.

Levar Watchmen para outras plataformas sempre desperta discordâncias entre os fãs devido à posição do criador sobre o assunto. Alan Moore defende que a história foi criada especificamente para quadrinhos, e transformá-la em peças, filmes, séries ou bonecos rebaixa seu valor artístico.
Entre os que não levam as críticas de Moore tão a sério, porém, há quem acredite que a melhor forma de adaptar para o audiovisual o quadrinho de 12 volumes é transformando-o em uma série. Outros dizem que Moore não tem direito de exigir ser o proprietário de Watchmen, porque os personagens são baseados em heróis antigos da Charlton Comics, comprados pela DC em 1983. Ao mesmo tempo, parte dos fãs levanta problemas de naturezas distintas, como o tratamento dispensado a Moore pela DC Comics, que detém os direitos da história, ou a inabilidade de outras mídias darem conta do escopo e da importância literária da obra original.
O curioso é que Lindelof se diz um dos fãs confusos e desconfiados, mas que ainda desejava ver Watchmen na televisão. Confira as 6 principais informações reveladas pelo produtor.

1. Ele recusou outras duas propostas para adaptar Watchmen

Logo no início da carta, após dar indícios da importância pessoal que Watchmen tem para ele, Lindelof conta que recusou duas oportunidades para adaptar o quadrinho para a televisão. A primeira foi em 2010, pouco tempo depois de o filme ter sido lançado. A segunda foi em 2011 ou 2012. Nos dois casos, ele alega que o respeito pela obra original o impediu de levar à frente qualquer interesse. Três anos depois, uma terceira oportunidade apareceu, e “agora eu também sou um hipócrita”, ele diz.
Lindelof faz uma metáfora com a conversão para o judaísmo ortodoxo — no qual a pessoa que espera se converter deve pedir três vezes —, mas não conta o que havia na terceira tentativa que o fez encarar o projeto de forma diferente.

2. Alan Moore não foi reconhecido por um executivo

Ainda no início da carta, quando conta sobre a segunda oferta para produzir Watchmen, Lindelof tenta explicar para um executivo de uma rede televisiva quais são as preocupações de Moore sobre adaptar a obra. A resposta foi: “Quem é Alan Moore?”.
Moore teve uma reação enfática aos desentendimentos com a DC Comics. O criador não aceitava fato de que a empresa pode continuar publicando à vontade histórias com os personagens que adquiriu, mesmo após o fim dos 12 volumes, nem a tentativa da DC de fazer com que ele certificasse a linha de bonecos de Watchmen. Além disso, as adaptações para o cinema de outros trabalhos seus tomaram grandes liberdades em relação à fonte original, contribuindo para seu descontentamento. Para completar, o produtor de V de Vingança, Joel Silver, disse que ele estaria empolgado com o filme durante um encontro que, segundo alega Moore, nunca existiu.
Após esses episódios, ele recusou receber créditos e royalties decorrentes de qualquer adaptação futura do seu trabalho. Como resultado, o nome de Moore não apareceu nos créditos do filme Watchmen.
A carta de Lindelof confirma, portanto, um dos maiores medos dos fãs do quadrinho, revelando que pelo menos um executivo não tinha ideia de quem seria Alan Moore nem por que suas ideias sobre uma adaptação para a televisão deveriam ser levadas em conta.

3. A série não será uma adaptação direta do quadrinho

Lindelof apresenta, em linhas gerais, suas intenções criativas e, de antemão, assegura que a série não vai adaptar a história dos quadrinhos. Ele chama a obra original de “solo sagrado” e a compara ao Velho Testamento, dizendo que tal material não será recriado em nenhuma hipótese.
Os quadrinhos serão o ponto de partida para a série, embora o produtor afirme que ela não será uma sequência. Lindelof diz que o enredo se passará no universo que os criadores inventaram, mas, seguindo a tradução que a inspirou, a nova história precisa ser original. É possível que o produtor tenha em mente algo parecido com o que Moore fez com os personagens da Charlton Comics, ao se inspirar neles para produzir sua própria história.
Ao mesmo tempo, Lindelof promete uma série que apresente novas questões e explore o mundo a partir de novas perspectivas. Haverá, por exemplo, imagens do presidente americano Donald Trump, da primeira-ministra britânica Theresa May e do presidente russo Vladimir Putin, com o objetivo de manter a crítica ao poder, mas modernizando as personalidades políticas que aparecem na história.
Ele também promete que novos rostos e máscaras serão apresentados, mas também aparecerá, de forma surpreendente, “um par de olhos familiar” — o que seria o maior risco do projeto. O palpite mais óbvio para a identidade do personagem misterioso seria Dr. Manhattan.

4. A relação do pai de Lindelof com Watchmen

O envolvimento pessoal de Lindelof com Watchmen está associado à relação com seu pai. Foi dele que ganhou os dois primeiros volumes do quadrinho enquanto era um garoto. O produtor lembra que tinha 15 anos quando o viu negociando um suposto roteiro de uma adaptação de Watchmen na convenção de quadrinhos de Nova York e do desgosto do pai após ler o script.
O problema é que o título do filme, de acordo com aquele roteiro, seria “A batalha dos Watchmen na Estátua da Liberdade”. Não existe um grupo chamado “Os Watchmen” na história. Na realidade, muitos fãs consideram essa uma ofensa imperdoável que adaptações poderiam cometer.
Outra memória interessante é quando Lindelof conta que o pai comprou uma edição de luxo do quadrinho, apesar de saber da briga entre Moore e a DC. O produtor o chamou de hipócrita e recebeu a resposta: “Mas é tão bom!”.

5. Há diversidade na equipe de produção

Lindelof diz que pessoas como ele, homens brancos e heterossexuais, são minoria no ambiente de trabalho dos roteiristas da série. O produtor afirma querer ver o que acontece quando Watchmen passa a receber contribuições de pessoas de diversos segmentos. “Entender seu potencial a partir das perspectivas de mulheres, pessoas de cor e da comunidade LGBTQ tem sido ótimo para abrir os olhos e estimulante”, ele diz. Segundo ele, a diversidade vai existir tanto na frente das câmeras quanto nos bastidores.
A questão feminina e de minorias é problemática em Watchmen, já que a personagem Laurie Juspeczyk pode ser vista apenas como um prêmio a ser ganho. A escolha de Lindelof de valorizá-las está atrelada ao contexto atual e deve incitar debates, como aconteceu com outros produtos audiovisuais recentemente.

6. Lindelof usou seu primeiro salário para comprar uma réplica da camisa do ex-jogador de futebol americano Joe Namath

O produtor dá um exemplo para mostrar que ele mesmo já depreciou coisas das quais era fã. Ele conta que já gritou “Vocês são uma droga!” para seu time de coração, o New York Jets. Na ocasião, estava vestindo uma réplica da camisa de um dos ídolos do time, o ex-quaterback Joe Namath. A camisa teria custado todo o seu primeiro salário, proveniente do drama Nash Bridges, da CBS. O episódio aproxima Lindelof dos fãs de qualquer esporte, série, filme ou quadrinho.
A carta confirma que o produtor está ciente da devoção dos fãs de Watchmen aos quadrinhos — e ele parece entender isso, já que também é um apreciador. Ela contempla as principais preocupações, sentimentos e conflitos que os aficionados podem ter com a possível série que, como o próprio Lindelof diz, é apenas um piloto até agora. É possível que a HBO veja o primeiro episódio e resolva não bancar o programa completo. Também pode ser um sucesso.
Ainda é cedo para saber quais serão os desdobramentos do piloto, mas parece evidente que o responsável por ele é alguém preocupado com as particularidades de Watchmen.
Este texto foi escrito por Camila Pessoa via nexperts.

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