8 expressões faladas em filmes que ficaram no imaginário popular - Leitores Anônimos

Post Top Ad

Leitores Anônimos

8 expressões faladas em filmes que ficaram no imaginário popular

Compartilhar


Quando se faz um roteiro para cinema, existe um cuidado em evitar diálogos expositivos que repitam o que está acontecendo durante a cena, optando para fazer da fala um recurso que explore a psicologia de cada personagem. Nesse processo, que também envolve uma participação crucial do elenco, palavras e expressões se tornaram bordões de sucesso ao caírem no gosto de espectadores, que, se não os utilizam no dia a dia, fazem associações diretas com os filmes que os originaram, pelo menos.

Embora existam situações de momentos inesquecíveis que vieram do improviso (o monólogo "Lágrimas na chuva" em Blade Runner: O Caçador de Androides foi de autoria do ator Rutger Hauer), vale lembrar que a tradução também tem parte fundamental no êxito dessas expressões, adaptando-as para melhor compreensão dos públicos regionais.
Abaixo, você conhece algumas expressões que foram imortalizadas no cinema a ponto de serem recicladas em outros filmes, mesmo que com um apelo maior à paródia. Leia também nossa lista de palavras que ficaram populares com as séries de TV.

1. Que pocilga! (What a dump!)

Recitada pela primeira vez em 1949 por Bette Davis no filme A Filha de Satanás(Beyond The Forest, no original), a expressão enfática e sem nenhuma gota de afeto dita pela atriz — que ficou marcada por interpretar megeras — designa nada menos que a insatisfação de se estar em um recinto de pouco ou nenhum asseio.
Dezessete anos depois, a expressão voltava à tona na voz de outra diva do cinema. Em Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (Who's Afraid of Virginia Woolf?, 1966), com roteiro do famoso autor Ernest Lehman, Elizabeth Taylor vive uma mulher de meia-idade que tem uma relação volátil com seu marido, interpretado por Richard Burton — ambos são alcoólatras.
Logo na cena que sucede os créditos iniciais, Martha (Taylor) e George (Burton) adentram em sua casa e, quando a esposa repara na completa bagunça em um dos cômodos, profere a tal frase, iniciando uma discussão com o marido sobre de onde era e quem seria a autora do bordão. A performance intensa da atriz lhe rendeu um Oscar no ano seguinte.
Um vídeo comparativo com as duas versões está disponível no YouTube. Confira:

2. Eu farei uma oferta que ele não poderá recusar (I'm gonna make him an offer he can't refuse)

Entre tantos personagens, Don Vito Corleone é um dos papéis de maior relevância na carreira de Marlon Brando, especialmente porque O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) marcou a volta do astro às suas interpretações marcantes após uma série de filmes de pouco sucesso na década de 1960. Enquanto o texto afiadíssimo de Mario Puzo e a direção célebre de Francis Ford Coppola mantêm a produção incólume no topo de melhores longas já feitos, o filme projetou momentos fascinantes da perfomance de Brando que não perderam seu brilho mesmo passados 46 anos.
Considerada pelo American Film Institute a segunda grande fala da História do Cinema, "Eu farei uma oferta que ele não poderá recusar" não só reitera a influência de Corleone (todavia tendo a violência como segunda opção), como também recebeu diversas homenagens ao longo dos anos — sim, a mafiosa família de gambás com sotaque italiano de Zootopia: Essa Cidade é o Bicho não foi criada ao acaso.

3. Gaslighting

Comumente utilizada para designar o ato de inferiorizar ou manipular uma pessoa questionando as capacidades mentais desta num ambiente de trabalho ou em qualquer outra circunstância, pode-se atribuir a criação do termo "gaslighting" à repercussão do filme À Meia Luz, protagonizado por Ingrid Bergman em 1944.
Sendo Gaslight seu título original adaptado de uma peça homônima de 1938, a história conta as tentativas de um marido (interpretado por Charles Boyer) escondendo um segredo de sua esposa, Paula (Bergman), a fim de torná-la insana ao insistir que as luzes de gás não piscam — quando, na verdade, Paula sempre teve razão.
É interessante notar que parte da produção hollywoodiana na década de 40 foi muito inspirada nos estudos da psicanálise refletida em boa parte das motivações das personagens — vide as obras de Alfred Hitchcock, com quem Bergman fez Quando Fala o Coração em 1945. Nas décadas seguintes, o vocábulo se tornou um verbo que emprega a nomenclatura.

4. O Lado Sombrio (The Dark Side)

É difícil afirmar com precisão o que faz de Star Wars uma das franquias mais adoradas do mundo do entretenimento, mas, se formos estritos ao nosso tema, os devidos méritos ficam com o roteiro de George Lucas. Com diálogos rápidos e às vezes filosóficos, ele trouxe com sua milionária obra uma série de expressões e conceitos que estão na ponta da língua dos fãs até hoje, mas é provável que nenhum tenha se universalizado mais do que o dito Lado Negro (ou Escuro ou Sombrio, no politicamente correto).
Uma vez que o Lado Negro da Força representa a afinidade com a raiva, o ódio e o sofrimento, cabendo a todo Jedi abdicar de tais sentimentos, a expressão é associada (quase) sempre que alguém quer afirmar que alguma pessoa ou instituição possui um revés negativo que por vezes tenta ser omitido do conhecimento de outros.

5. Foi mal! (My bad!)

Diz aí, quem não adora um bom teen movie ou passou a adolescência assistindo aos clássicos do gênero? Além de responsáveis pela formação de repertório, tais filmes influenciam o linguajar descolado dos jovens, incluindo gírias momentâneas que colam na língua da garotada — e azar daqueles que não souberem.
As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless) divertiu a geração adolescente dos anos 90 e acrescentou ao vocabulário expressões como "que seja" ("whatever"), além de ter contribuído para a popularização definitiva de "My bad" (o nosso igualmente breve "Foi mal"), cuja origem remonta a jogadores de basquete na década de 80 com o intuito de se desculpar por um passe errado.

6. Derp

Palavra comum dada a um desenho tosco de olhos estrábicos na época em que os memes surgiram com tudo na internet, "derp" remonta ao besteirol Sem Trapaça Não Tem Graça (BASEketball, de 1998), estrelado pelos criadores de South Park, Trey Parker e Matt Stone. Posteriormente, a dupla popularizou a palavra inventada no seriado animado a tal ponto que ela chegou ao jornalismo americano anos depois, além de ter dominado a rede virtual.
Parece incrível, mas o termo está listado até mesmo no dicionário Oxford, referindo-se ao ato de comentar sobre um feito idiota, sendo usado tanto como adjetivo quanto como substantivo.

7. MILF

Apesar de existir em redutos nos primórdios da intenet, o acrônimo vulgar imortalizado em American Pie: A Primeira Vez é Inesquecível refere-se ao desejo de rapazes de se envolverem com mulheres na faixa dos 40 anos. O personagem de Jon Cho (Star Trek) faz questão de explicar em cena:
MILF também apareceu no segundo episódio da primeira temporada de Breaking Bad, com direito a Skyler (Anna Gunn) pesquisando o infame site de Jesse Pinkman (Aaron Paul) a ponto de arquear as sobrancelhas diante do significado.

8. The Bucket List – ou coisas a fazer antes de morrer

Inventada pelo roteirista Justin Zackman 8 anos antes de o filme Antes de Partir ser lançado nos cinemas, uma bucket list é, literalmente, uma lista pontuando várias atividades que uma pessoa deseja fazer e pretende cumprir até a data de sua morte. No longa (que leva o termo como título), Morgan Freeman e Jack Nicholson vivem dois pacientes terminais que dividem o mesmo quarto no hospital e decidem fazer tudo a que têm direito, como praticar esportes radicais e subir as pirâmides do Egito. Ela é derivada da frase "kick the bucket ("chutar o balde", em referência à época em que havia condenação de morte por enforcamento).
Este texto foi escrito por Thiago Cardoso via nexperts.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Bottom Ad

Leitores Anônimos

Pages