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Aggretsuko transforma os desprazeres da vida adulta em piada

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Aggretsuko não é uma franquia tão recente para o público japonês, já que a panda-vermelho no papel principal foi criada prioritariamente como mascote da empresa Sanrio. Ela já protagonizou 100 episódios da sua série na emissora japonesa Tokyo Broadcasting Television. Agora, ganha mais destaque na Netflix com 10 episódios que escancaram os desprazeres da vida adulta contemporânea e mantêm um ótimo ritmo humorístico com situações comuns do dia a dia de bilhões de pessoas ao redor do mundo.
Na trama, Retsuko é uma panda-vermelho de 25 anos que trabalha no setor de contabilidade de uma grande empresa japonesa. O espectador acompanha os problemas do cotidiano da protagonista, seja a dificuldade em levantar cedo, o transporte público lotado, ter que aturar um patrão abusivo ou não conseguir um relacionamento amoroso feliz. A grande diferença é que a principal atividade que deixa a personagem principal relaxada é cantar Death Metal, principalmente em seu karaokê favorito.
O roteiro pautado no cotidiano é o principal alicerce da narrativa, já que essa é a forma mais efetiva de fazer com que o espectador crie empatia pelos personagens, principalmente por Retsuko. Essa escolha da franquia mostra que ela não visa, em nenhum momento, ao público infantil, mesmo que possua uma arte bastante simples. O design de cada indivíduo do universo de Aggretsuko também reflete sua personalidade. Por exemplo, o chefe Porcão não é um suíno gigantesco e folgado por acaso.
Enquanto o roteiro é facilmente acessível ao público-alvo adulto, as piadas ganham ainda mais facilidade para o espectador quando tais situações acabam se tornando um alívio cômico efetivo. Entretanto, o grande ápice de descontração fica por parte dos acessos de raiva da Retsuko, quando ela entra em seu modo de fúria e se sente obrigada a cantar Death Metal para, assim, relaxar. As letras das canções fazem referência ao sentimento que ela tem no momento, realçando o quanto ela gostaria de gritar aquelas palavras para as pessoas ao redor.

A dublagem brasileira para a série da Netflix também ajuda bastante na identificação com as situações, já que gírias tupiniquins foram facilmente incorporadas ao linguajar dos personagens. Apesar disso, há um grande equívoco em relação ao apelido de Resasuke, um panda-vermelho da área de vendas que é chamado de “Príncipe Egoísta” na versão em português, algo que não condiz com a versão original. Em inglês, ele recebeu a alcunha de “Space Cadet”, expressão para pessoas que são avoadas e parecem não sentir o que está acontecendo ao redor. Resasuke ainda é uma representação do Herbivore Man, homem que não tem real interesse em relações amorosas nem faz questão de parecer másculo, o que poderia auxiliar na forma de buscar a forma mais coerente de apelidá-lo, já que a simbologia dele é importante na trama e para a visão do homem japonês contemporâneo.
Aggretsuko acerta em sua proposta de crise existencialista com o público adulto ao inserir o cotidiano de uma forma realista, mesmo que seja num universo repleto de animais humanizados, e assim também oferece a válvula de escape que o espectador tanto deseja, já que é impossível não se identificar com a protagonista, ainda mais quando os momentos de fúria repletos de Death Metal são tão próximos ao que qualquer um de nós gostaria de gritar no dia a dia.
Este texto foi escrito por Gustavo Rodrigues via nexperts.

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